Cigana,
Pés descalços,
Dança.
Acende a chama
E dança.
Quadris,
Mãos,
Olhos,
Cigana.
No ritmo,
Batuca seu pandeiro
E dança.
Me envolve com seu charme
E canta.
De cigana a sereia,
Chama,
Grita meu nome,
E dança.
Cigana,
Quadris,
Mãos,
Olhos,
Clama.
Implora pelo meu amor,
E dança.
Cabelos soltos,
Ombros despidos,
Se despe da vergonha
E dança.
O tempo que passa,
A lua que ilumina,
Te alcanço,
E foge.
Foge de mim,
Esquece meu nome,
Provoca meu amor,
E some.
28/08/2013
24/08/2013
Talvez...
Talvez eu te queira, talvez não.
Talvez tu me odeie, talvez não.
Talvez eu te entenda, talvez não.
Talvez me ignore, talvez não.
Talvez a gente fale, talvez não.
Talvez você disfarce, talvez não.
Talvez eu sorria, talvez não.
Talvez você ria, talvez não.
Talvez me perdoe, talvez não.
Talvez eu te ignore, talvez não.
Talvez você fuja, talvez não.
Talvez eu continue, talvez não.
Talvez tenha fim, talvez não.
Talvez tenha respostas, talvez não.
Talvez fosse amor, talvez não.
Talvez eu esqueça, provavelmente, não.
Talvez tu me odeie, talvez não.
Talvez eu te entenda, talvez não.
Talvez me ignore, talvez não.
Talvez a gente fale, talvez não.
Talvez você disfarce, talvez não.
Talvez eu sorria, talvez não.
Talvez você ria, talvez não.
Talvez me perdoe, talvez não.
Talvez eu te ignore, talvez não.
Talvez você fuja, talvez não.
Talvez eu continue, talvez não.
Talvez tenha fim, talvez não.
Talvez tenha respostas, talvez não.
Talvez fosse amor, talvez não.
Talvez eu esqueça, provavelmente, não.
21/07/2013
Eu soube.
Foi quando as mãos uniram-se,
Os lábios tocaram-se,
Os olhos fecharam,
Que eu soube.
Um pedaço meu se foi
E o que restou em mim
Agora também é seu.
A voz que falha
é a mesma que grita seu nome.
Se ao menos você soubesse,
a dor que causou em mim
ao me deixar ali sozinha
num sonho sem fim.
Os lábios tocaram-se,
Os olhos fecharam,
Que eu soube.
Um pedaço meu se foi
E o que restou em mim
Agora também é seu.
A voz que falha
é a mesma que grita seu nome.
Se ao menos você soubesse,
a dor que causou em mim
ao me deixar ali sozinha
num sonho sem fim.
30/06/2013
Se eu não fosse tão minha.
Talvez, se eu não fosse tão minha, seria sua. Se não fossem as minhas manias, os meus medos, os meus apelos. Decidi, faz pouco tempo, te excluir da minha vida. Foi uma decisão difícil, mas que precisava ser tomada. Estabeleci um plano: cinco. Cinco dias sem procurar, sem falar, sem pensar. Quando eu chegasse no cinco, tudo voltaria a fazer sentido. Infelizmente, o cinco nunca chega. E, a cada tentativa falha, sou obrigada a recomeçar a contagem do início. É um esforço contínuo, um sofrimento imposto a mim mesma, mas eu realmente acredito no resultado. Isso é o que importa. No fim dos cinco, seremos tão nossos, que não haverá espaço para você em mim; não haverá espaço para mim em você. Seremos passado, mesmo sem nunca conjugar o futuro.
19/06/2013
De todos, o mais fácil de escrever, o mais difícil de se ler.
De todos os amores, o mais apaixonado. De todas as paixões, o mais fácil de esquecer. Um paradoxo. Um mistério. O tempo. A experiência. De todos que deveriam ir, aquele que podia ficar. De todos que ela gostou, o mais difícil de deixar. Uma mistura de sentimentos. Um furacão. Uma tormenta. Nem todo texto faz sentido. Nem todo amor é definido. Se pudesse voltar atrás, seguiria para frente. Se pudesse seguir em frente, voltaria dois segundos a trás. O abraço. O beijo. Um alô. Um adeus. De todas as despedidas, a que mais a fez chorar.
11/06/2013
Tortura
Não se sabe se era amor, ódio ou indiferença. Soava como tortura, fosse a forma que tivesse. Nada era claro, apesar de incolor. Talvez fosse isso, a falta de tons. Perdida nesse mundo inóspito, não tinha lugar que a fizesse ficar. Percorria ruas escuras, becos fétidos e avenidas repletas de letreiros néon. Se um dia a tivessem amado, talvez soubesse distinguir a dor. Mesmo assim, soava como tortura, soava como algo nunca correspondido. Não se sabe, mas devia ser amor.
02/06/2013
Adoro uma reunião de condomínio.
As pessoas esqueceram a simplicidade do veraneio. Elas não querem mais uma casa cheia de gente e reunião nos finais de semana. Não querem rede, cachorros, família ou amigos. Esses só nas reuniões de domingo na cidade. Praia é pra se curtir sozinho. Essa parece ser a nova filosofia de vida. Comprar um cubículo, um apartamento minúsculo, viver rodado de vizinhos que você não sabe nem o nome em prol de uma vista ridícula de pequena é muito mais atraente. Quem quer casa com pátio!? E o trabalho que dá: cortar grama, varrer a casa, limpar os pés com a Mangueira pra tirar o sal e a areia. Bobagem. As pessoas odeiam isso. Elas odeiam o cheiro da grama cortada, odeiam curtir a casa, odeiam espaços que as lembrem o quão solitárias essas pessoas são. Elas querem viver em espaços pequenos, sozinhas, mas sem se sentirem solitárias. Casa é bobagem. Bom mesmo é um apartamento na praia. Aquele bando de arranha-céu. Bom é. Praia com sombra, sem luz, com vento, com calor causado pelo asfalto. Bom é progresso, bom é ter que sair da paraia às três da tarde por não ter mais sol na beira. Como eu amo progresso. Como são lindos aqueles prédios iguais das praias. Todos de lajotinhas e com seus trinta e tantos andares. Casa é ridículo. Casa é desnecessário: muito grande, muito incômodo, muito solitário. Gosto é de vizinho pra reclamar do rádio no domingo. Gosto é de gente, mas não me importo em saber o nome deles. Adoro uma reunião de condomínio.
29/05/2013
Sei que vou.
Vou sentir sua falta.
Sei que vou.
Estou indo embora.
Já acabou.
Não preciso de palavras,
nem beijos, nem abraços.
Não vou olhar para trás.
Não, não vou.
Prometi há muito tempo,
Que um dia esqueceria
De cobrar coisas roubadas,
de cobrar o seu amor.
Já é tempo de ir.
Não tem como voltar.
Tudo aquilo que te disse,
Hoje, lembro com pesar.
Sei que vou.
Estou indo embora.
Já acabou.
Não preciso de palavras,
nem beijos, nem abraços.
Não vou olhar para trás.
Não, não vou.
Prometi há muito tempo,
Que um dia esqueceria
De cobrar coisas roubadas,
de cobrar o seu amor.
Já é tempo de ir.
Não tem como voltar.
Tudo aquilo que te disse,
Hoje, lembro com pesar.
Ela
Talvez ela tenha cansado de esperar por coisas que jamais vão acontecer. Quando não é pra dar certo, simplesmente não vai. Ela não aceita bem esse fato, assim como muitos outros. Ao mesmo tempo, ela insiste até o último minuto, como se a vida, a sua vida, dependesse disso. Ela reclama com uma frequencia assustadora, é quase um hobbie. Nem todos aguentam, a maioria vai embora antes mesmo de tentar entender. Ela cobra gestos, palavras e atitudes. Não faz isso por mal. Ela sente essa necessidade de saber, de saber as respostas. Ela não gosta das coisas pela metade. Ou é, ou não é. Isso faz tudo ser bem mais complicado. Ela tenta - e vai continuar tentando - parar de definir tudo. Tem coisas que não se define, tem coisas que não se vê, outras, não se sente. Isso não as faz inexistentes, só as torna mais imperceptíveis. O que importa é a quantidade de vontade que ela tem: vontade para seguir em frente, vontade de viver, vontade de ser feliz.
14/05/2013
Mensagens
Ela escrevia mensagens e apagava. Às vezes, apagava antes mesmo de mandar. Outras vezes, depois. Ela dizia que era por medo de lerem. Mentira. Quase sempre, era por medo da reação das pessoas. Ela não queria saber se tinham visualizado ou não. Preferia viver em um mundo sem respostas. Ela não queria um sim ou um não, ela simplesmente queria. Até que um dia, as coisas começaram a perder o sentido. Ela já não via mais graça em não saber. Estava cansada de não sentir. Quando descobriu isso, muito tempo havia se passado. Já não restava tempo para aventuras, nem para respostas. Foram tantas perguntas que se perderam pelo caminho. Tantas dúvidas. Ela nunca encontrou alguém que respondesse para ela. Alguém que soubesse qual a sensação de escrever mensagens e ter medo da reação das pessoas.
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