02/06/2013

Adoro uma reunião de condomínio.

As pessoas esqueceram a simplicidade do veraneio. Elas não querem mais uma casa cheia de gente e reunião nos finais de semana. Não querem rede, cachorros, família ou amigos. Esses só nas reuniões de domingo na cidade. Praia é pra se curtir sozinho. Essa parece ser a nova filosofia de vida. Comprar um cubículo, um apartamento minúsculo, viver rodado de vizinhos que você não sabe nem o nome em prol de uma vista ridícula de pequena é muito mais atraente. Quem quer casa com pátio!? E o trabalho que dá: cortar grama, varrer a casa, limpar os pés com a Mangueira pra tirar o sal e a areia. Bobagem. As pessoas odeiam isso. Elas odeiam o cheiro da grama cortada, odeiam curtir a casa, odeiam espaços que as lembrem o quão solitárias essas pessoas são. Elas querem viver em espaços pequenos, sozinhas, mas sem se sentirem solitárias. Casa é bobagem. Bom mesmo é um apartamento na praia. Aquele bando de arranha-céu. Bom é. Praia com sombra, sem luz, com vento, com calor causado pelo asfalto. Bom é progresso, bom é ter que sair da paraia às três da tarde por não ter mais sol na beira. Como eu amo progresso. Como são lindos aqueles prédios iguais das praias. Todos de lajotinhas e com seus trinta e tantos andares. Casa é ridículo. Casa é desnecessário: muito grande, muito incômodo, muito solitário. Gosto é de vizinho pra reclamar do rádio no domingo. Gosto é de gente, mas não me importo em saber o nome deles. Adoro uma reunião de condomínio.

29/05/2013

Sei que vou.

Vou sentir sua falta.
Sei que vou.
Estou indo embora.
Já acabou.
Não preciso de palavras,
nem beijos, nem abraços.
Não vou olhar para trás.
Não, não vou.
Prometi há muito tempo,
Que um dia esqueceria
De cobrar coisas roubadas,
de cobrar o seu amor.
Já é tempo de ir.
Não tem como voltar.
Tudo aquilo que te disse,
Hoje, lembro com pesar.

Ela

Talvez ela tenha cansado de esperar por coisas que jamais vão acontecer. Quando não é pra dar certo, simplesmente não vai. Ela não aceita bem esse fato, assim como muitos outros. Ao mesmo tempo, ela insiste até o último minuto, como se a vida, a sua vida, dependesse disso. Ela reclama com uma frequencia assustadora, é quase um hobbie. Nem todos aguentam, a maioria vai embora antes mesmo de tentar entender. Ela cobra gestos, palavras e atitudes. Não faz isso por mal. Ela sente essa necessidade de saber, de saber as respostas. Ela não gosta das coisas pela metade. Ou é, ou não é. Isso faz tudo ser bem mais complicado. Ela tenta - e vai continuar tentando - parar de definir tudo. Tem coisas que não se define, tem coisas que não se vê, outras, não se sente. Isso não as faz inexistentes, só as torna mais imperceptíveis. O que importa é a quantidade de vontade que ela tem: vontade para seguir em frente, vontade de viver, vontade de ser feliz.

14/05/2013

Mensagens

Ela escrevia mensagens e apagava. Às vezes, apagava antes mesmo de mandar. Outras vezes, depois. Ela dizia que era por medo de lerem. Mentira. Quase sempre, era por medo da reação das pessoas. Ela não queria saber se tinham visualizado ou não. Preferia viver em um mundo sem respostas. Ela não queria um sim ou um não, ela simplesmente queria. Até que um dia, as coisas começaram a perder o sentido. Ela já não via mais graça em não saber. Estava cansada de não sentir. Quando descobriu isso, muito tempo havia se passado. Já não restava tempo para aventuras, nem para respostas. Foram tantas perguntas que se perderam pelo caminho. Tantas dúvidas. Ela nunca encontrou alguém que respondesse para ela. Alguém que soubesse qual a sensação de escrever mensagens e ter medo da reação das pessoas.

10/05/2013

Distância

Longe de tudo e de todos. É assim que me sinto quando vejo você. Ao mesmo tempo, sinto todos os olharem em mim, como se qualquer coisa que eu fizesse parecesse absurdo, obsceno, idiota, louco. Dizem que é assim mesmo, mas eu não gosto disso. Não gosto da sensação de estar ali, tão perto e tão distante. Tão longe de você, mesmo que sejam 10 passos. São os mais longos passos do mundo, os mais dolorosos, os mais tristes. Gostar é um tanto obsessivo. Quero te ter por perto, quero abraçar e tocar e falar. Mas você está ali, não aqui. Lá. Longe. Distante. E eu aqui. Distante, não do você, mas de todos. Pensando no dia em que a gente vai estar perto. Pensando nos passos que ainda faltam dar.

02/05/2013

Hoje

Hoje sou toda sua.
Sou olhos,
Sou mãos,
Sou pernas,
Sou braços.
Carícias.
Abraços.
Beijos.
Sou pensamento,
Sou corpo,
Sou alma.
Te quero por inteiro.
Quero ver teu sono,
quero te ver tranquilo.
Quero olhar você dormindo.
Meu querer,
meu gostar,
meu amor.
E, quando a luz surgir
Entre as persianas,
poder te ver,
poder te amar mais um pouco,
mesmo que em sonhos,
mesmo que de longe,
mesmo sem te ter.
Mesmo sem tocar.


21/04/2013

Esta noite...

Esta noite vou chorar. Vou chorar um pouquinho por mim, um pouquinho por ti. Vou chorar por ter acabado, mesmo sem ter começado. Vou chorar por você ir. Talvez eu chore um pouquinho por não ter visto sua chegada, nem ter visto você passando, nem vi suas malas. Vou chorar por todos os que foram, todos os amores passados, que nunca voltarão. Vou chorar por nós dois, pelos meus sonhos e, também, pelos pesadelos. Vou chorar por amar demais, mesmo quem não me ama, mesmo quem nunca me amou e nunca vai amar. Vou chorar por te querer em silêncio, te querer calada, te querer sozinha. Vou chorar por te querer e ponto. Vou chorar baixinho para ninguém ouvir. Vou chorar um pouquinho, pois de noite não tem luz. Vou chorar um pouquinho sem ninguém saber. Vou chorar um pouquinho para rir depois.

14/04/2013

A Sociedade

"Faça isso."; "Não faça assim."; "Pode falar."; "É melhor ficar calado."; "Vai, se joga."; "É melhor esperar um tempo."; "Quantos dias?"; "Ah, não sei.... espera até que a pessoa faça primeiro.". Regras, regras e mais regras. Quem inventou todas elas? Temos mesmo que obedecer todas elas? São tantas. Ninguém se importa realmente com o sentimento, só se estiver de acordo com as regras. Ele não vai gostar dela, não se ela for procurar por ele. Ela não vai gostar dele, muito isso ou aquilo. Não podemos chegar neles. Eles não podem chegar chegando. Ela procura alguém que seja aprovado. Ele procura alguém que siga regras. Eles procuram pessoas, mas não sabem o que eles procuram nelas. Paixão é impulsiva, mas só funciona se refrearmos todos os impulsos; silenciar, mesmo que a vontade seja falar; ficar, mesmo que a vontade seja ir; neutralizar, mesmo que a vontade seja sorrir. Nada de inércia, nada de nada. Somos repreendidos, basta pisar na linha. Cada um deve obedecer os limites impostos. Ninguém pode fugir, burlar o sistema, ser livre. Não, amar deixou de ser algo que liberta. Não somos o que queremos, somos aquilo que querem que sejamos. Somos eles, não nós. São as regras deles, não as nossas. São eles os felizes. A nossa felicidade pouco importa. Siga as regras, só assim eles nos deixarão sorrir.

03/04/2013

Poema do Desespero

Não consigo falar com você.
Eu engasgo.
Eu tusso.
Eu suo nas mãos.
Eu congelo.
Se você soubesse como eu quero...
Eu tento.
Eu olho.
Eu vejo.
Mas você não vê.
Não como eu vejo.
Não como eu olho pra você.
Eu finjo.
Eu piro.
Me jogo.
Eu giro.
Eu fujo.
Te deixo.
Amanhã, eu tento.
Um dia desses, você cansa.
Me deixa.
Eu surto.
Eu choro.
Eu oro.
Te peço de volta.
Entro em luto.
Por você e por mim.
A história que nunca teve fim.

02/04/2013

A verdade...

Ela queria mudar, queria ganhar, queria ter. Ela queria ser mimada, queria poder. Ela não tinha coragem, não tinha amor, nem coração. A vida, para ela, passava em vão. Solitária, viveu até morrer. No seu enterro, ninguém foi, foi sem querer. A verdade é que ninguém sabia, ninguém sentia, ninguém lembrava. A menina solitária do apartamento 11 não deixava que ninguém se aproximasse. No fundo, era mais frágil do que o pote de vidro, que era seu único bem e para que ninguém deixara.