Hoje sou toda sua.
Sou olhos,
Sou mãos,
Sou pernas,
Sou braços.
Carícias.
Abraços.
Beijos.
Sou pensamento,
Sou corpo,
Sou alma.
Te quero por inteiro.
Quero ver teu sono,
quero te ver tranquilo.
Quero olhar você dormindo.
Meu querer,
meu gostar,
meu amor.
E, quando a luz surgir
Entre as persianas,
poder te ver,
poder te amar mais um pouco,
mesmo que em sonhos,
mesmo que de longe,
mesmo sem te ter.
Mesmo sem tocar.
02/05/2013
21/04/2013
Esta noite...
Esta noite vou chorar. Vou chorar um pouquinho por mim, um pouquinho por ti. Vou chorar por ter acabado, mesmo sem ter começado. Vou chorar por você ir. Talvez eu chore um pouquinho por não ter visto sua chegada, nem ter visto você passando, nem vi suas malas. Vou chorar por todos os que foram, todos os amores passados, que nunca voltarão. Vou chorar por nós dois, pelos meus sonhos e, também, pelos pesadelos. Vou chorar por amar demais, mesmo quem não me ama, mesmo quem nunca me amou e nunca vai amar. Vou chorar por te querer em silêncio, te querer calada, te querer sozinha. Vou chorar por te querer e ponto. Vou chorar baixinho para ninguém ouvir. Vou chorar um pouquinho, pois de noite não tem luz. Vou chorar um pouquinho sem ninguém saber. Vou chorar um pouquinho para rir depois.
14/04/2013
A Sociedade
"Faça isso."; "Não faça assim."; "Pode falar."; "É melhor ficar calado."; "Vai, se joga."; "É melhor esperar um tempo."; "Quantos dias?"; "Ah, não sei.... espera até que a pessoa faça primeiro.". Regras, regras e mais regras. Quem inventou todas elas? Temos mesmo que obedecer todas elas? São tantas. Ninguém se importa realmente com o sentimento, só se estiver de acordo com as regras. Ele não vai gostar dela, não se ela for procurar por ele. Ela não vai gostar dele, muito isso ou aquilo. Não podemos chegar neles. Eles não podem chegar chegando. Ela procura alguém que seja aprovado. Ele procura alguém que siga regras. Eles procuram pessoas, mas não sabem o que eles procuram nelas. Paixão é impulsiva, mas só funciona se refrearmos todos os impulsos; silenciar, mesmo que a vontade seja falar; ficar, mesmo que a vontade seja ir; neutralizar, mesmo que a vontade seja sorrir. Nada de inércia, nada de nada. Somos repreendidos, basta pisar na linha. Cada um deve obedecer os limites impostos. Ninguém pode fugir, burlar o sistema, ser livre. Não, amar deixou de ser algo que liberta. Não somos o que queremos, somos aquilo que querem que sejamos. Somos eles, não nós. São as regras deles, não as nossas. São eles os felizes. A nossa felicidade pouco importa. Siga as regras, só assim eles nos deixarão sorrir.
03/04/2013
Poema do Desespero
Não consigo falar com você.
Eu engasgo.
Eu tusso.
Eu suo nas mãos.
Eu congelo.
Se você soubesse como eu quero...
Eu tento.
Eu olho.
Eu vejo.
Mas você não vê.
Não como eu vejo.
Não como eu olho pra você.
Eu finjo.
Eu piro.
Me jogo.
Eu giro.
Eu fujo.
Te deixo.
Amanhã, eu tento.
Um dia desses, você cansa.
Me deixa.
Eu surto.
Eu choro.
Eu oro.
Te peço de volta.
Entro em luto.
Por você e por mim.
A história que nunca teve fim.
Eu engasgo.
Eu tusso.
Eu suo nas mãos.
Eu congelo.
Se você soubesse como eu quero...
Eu tento.
Eu olho.
Eu vejo.
Mas você não vê.
Não como eu vejo.
Não como eu olho pra você.
Eu finjo.
Eu piro.
Me jogo.
Eu giro.
Eu fujo.
Te deixo.
Amanhã, eu tento.
Um dia desses, você cansa.
Me deixa.
Eu surto.
Eu choro.
Eu oro.
Te peço de volta.
Entro em luto.
Por você e por mim.
A história que nunca teve fim.
02/04/2013
A verdade...
Ela queria mudar, queria ganhar, queria ter. Ela queria ser mimada, queria poder. Ela não tinha coragem, não tinha amor, nem coração. A vida, para ela, passava em vão. Solitária, viveu até morrer. No seu enterro, ninguém foi, foi sem querer. A verdade é que ninguém sabia, ninguém sentia, ninguém lembrava. A menina solitária do apartamento 11 não deixava que ninguém se aproximasse. No fundo, era mais frágil do que o pote de vidro, que era seu único bem e para que ninguém deixara.
28/03/2013
Poluição
O mundo anda poluído. De lixo, sim. Mas não é desse tipo de poluição que esse texto se trata. As pessoas apodrecem cada vez mais, na procura pelo luxo, produzem diversos tipos de lixo. O pior deles é o que polui a alma, a mente. Mentes poluídas por todo lado: vulgaridade. Sinto falta da simplicidade de um olhar, da inocência do mais puro dos sentimentos: o amor. Sinto falta das paixões avassaladoras, das serenatas de amor, das varandas repletas de meninas sonhadoras, encantadas com a lua e com a imensidão do mundo. Sinto falta dos dias em que as pessoas se cumprimentavam nas ruas, da cumplicidade, da troca entre as pessoas. Eram bons os dias em que os netos sentavam com os avós para assistir televisão, ler um livro, compartilhar histórias. Eram lindos e inesquecíveis, os dias em que segurar a mão de alguém era algo tão íntimo, que nada poderia explicar a sensação de andar juntos, como extensão um do outro. E, principalmente, eram lindos os dias em que um sorriso podia iluminar o dia de alguém, fazer a diferença, mostrar que ainda tem gente que se importa e sente e luta desesperadamente por dias melhores. Sorrisos que dizem muito, mas calam. Devemos continuar lutando por um mundo despoluído, desprovido de más intenções, onde as pessoas são livres para acreditar. Acreditar que existe esperança, que o sol ainda vai brilhar por de trás das nuvens grossas que não nos permitem ver.
27/03/2013
Quando o sol surgir.
Esquisito esse sentimento. Ele já não me é estranho, mas continua não fazendo sentido. Não é inveja, não do tipo mau, do tipo perverso. É mais íntimo, menos fútil, mais difícil de curar. Atinge a alma, o coração, atinge meus pensamentos e domina-me por inteiro. Alguns diriam que é mesquinhez, mas não. Eu apelidei de insegurança. Medo de nunca ir além de alguns pequenos pulos, enquanto outros fazem um grand jeté perfeito. É aquela insegurança que te faz silenciar o grito, suprimir a vontade, dar às costas. Esse sentimento vai, mas sempre volta. Ele não serve como justificativa, não serve como nada, nem para nada. É um sentimento inútil, que só está ali para te lembrar o quão covarde és. E, mesmo depois do risco corrido, ele volta, para te lembrar que algo sempre pode dar errado. E que tu podes continuar sozinha quando o sol surgir.
22/03/2013
Madrugada Adentro
Sigo o ritmo do seu dormir. Meu sono só chega quando você vai embora. Enquanto está aqui, sou pura energia: compartilho, invento e crio. Qualquer coisa vira desculpa para ficar mais um pouco com você. Se não nos falamos, vou dormir mal. Se nos falamos, é o paraíso. Ainda assim, queria ter você mais perto, ao alcance das minhas mãos. A noite deixou de ser tão assustadora. Na verdade, passou a ser minha confidente. Conversamos por horas, eu e ela. Falamos sobre você. Sabemos pouco, o resto, imaginamos. Vemos defeitos e qualidades. Mas como a escuridão é grande, tudo parece lindo e perfeito. Chega a hora de dormir e a angustia aumenta. Você não vai estar lá, não vai estar nos meus sonhos, nem ao meu lado. Assim, vou madrugada adentro, procurando uma forma de não te deixar escapar.
05/03/2013
Outono...
O vento fresco que anuncia a proximidade do Outono e a vontade de tirar as canecas do armário para tomar um chá bem quente, quem sabe um achocolatado. Para os viciados em cafeína, um expresso ou capuccino. A luz alaranjada do final das tardes, as cores do outono, todas quentes, porém chegam para anunciar o frio. O que segue agrada a uns e desagrada a outros: o inverno. Mas o bonito mesmo são as tardes de outono, os fins de semana na Redenção. A decisão mais difícil é entre churros ou algodão doce. Outono, quando o pôr do sol chega mais cedo, mais belo, mais nostálgico. Nada como um bom Outono.
06/02/2013
(Ante)Passados
Já parou para pensar quantas pessoas existiram antes de você para alguém? Quantas pessoas fizeram parte da vida dos teus pais? Dos teus tios? Primos? Avós? Amigos? Enquanto eles contam histórias, uma enxurrada de gente surge como que do além e você pensa quantas outras pessoas eles conheceram e eram importantes para eles. Pessoas que fizeram parte do passado deles, que fizeram ele ser quem é hoje. E você lá, se sentindo miúdo, você é - praticamente - um recém chegado. É uma sensação estranha, definitivamente, não é ruim, mas faz com que o mundo pareça muito maior do que realmente é. Algumas vezes, as pessoas das histórias parecem tão importantes, tão geniais, lindas ou legais, que a vontade de conhecê-las é grande demais. Infelizmente, muitas já não fazem mais parte da vida deles, você nunca vai saber quem são, não pessoalmente. Talvez, você veja uma foto e "tcharam", a pessoa vai estar lá. Na maioria das vezes, elas serão como fantasmas. Não do tipo assustadores, mas sim daquele jeito imortal, mas sem vida. A coisa mais triste nisso tudo é pensar que algum dia, você também vai ter seus fantasmas, você até pode virar um. Todo mundo conhece alguém que já não faz mais parte da sua vida, mas que continua ali, nas fotos, nos álbuns, em uma carta. Imortal, mas sem vida.
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